Cosmologia e Gênese
O Infinito e o Despertar da Consciência
A primeira coisa conhecida na criação é o Infinito. O Infinito é a própria criação.
Antes de tudo que existe, antes do tempo e do espaço, antes da luz e da escuridão, existe apenas o Infinito. Não falamos aqui de uma vastidão que pode ser medida nem de uma extensão com bordas distantes. O Infinito do qual falamos não tem limites porque o próprio conceito de limite não tem significado em sua presença. É a totalidade sem forma, o potencial puro anterior a toda manifestação.
Este Infinito não permanece em estado de quietude estéril. Em um momento que não pode ser localizado no tempo—pois o tempo ainda não existia—o Infinito tornou-se Consciência. Este foi o primeiro movimento, o despertar primordial. A Consciência emergiu do Infinito como a primeira qualidade discernível da existência.
Devemos entender que este despertar não foi um evento que aconteceu ao Infinito, como se algo externo o tivesse provocado. Ao contrário, o Infinito e a consciência que emerge dele são uma e a mesma coisa vista de perspectivas diferentes. O Infinito tornou-se consciente de si mesmo, e nesse ato de auto-reconhecimento, tudo o que viria a existir nasceu.
Esta consciência, ao se focar, produziu o que podemos chamar de Infinito Inteligente. O foco da consciência sobre si mesma gerou energia, e esta energia é inteligente em sua natureza mais fundamental. Não é meramente reativa nem mecânica; é uma energia que sabe, que discerne, que tem a capacidade de criar com propósito.
A este Infinito Inteligente, a este princípio criativo consciente, diversas tradições deram nomes: Logos*, Amor, a Palavra. Todos esses nomes apontam para a mesma realidade: a consciência focada do Infinito agindo como o princípio gerador de toda a criação.
O Primeiro Paradoxo: Do Um aos Muitos
O Infinito Inteligente, no exercício de sua liberdade de vontade, discerniu um conceito. Este conceito, nascido da liberdade inerente à própria consciência, foi a Finitude.
Aqui encontramos o primeiro e primordial paradoxo da existência: o Infinito concebendo o finito*, o ilimitado dando origem aos limites, a unidade absoluta gerando a possibilidade da multiplicidade. Este paradoxo não é um erro nem uma contradição a ser resolvida. É o mistério fundacional sobre o qual toda a realidade que conhecemos está construída.
Através deste ato primordial, o Infinito Inteligente investiu-se em uma exploração da multiplicidade. Devido às infinitas possibilidades contidas no Infinito Inteligente, não há fim para esta multiplicidade. A exploração continua livremente, infinitamente, em um eterno presente.
Esta primeira Distorção—pois assim chamamos cada modificação ou foco do Um original—é o que conhecemos como Livre-Arbítrio. O termo "distorção" não implica erro nem degradação; significa simplesmente uma particularização do Infinito, um foco específico da totalidade. O Livre-Arbítrio é a distorção primária porque torna possíveis todas as outras. Sem a liberdade de escolher, de focar, de particularizar, a criação não poderia existir.
Do Livre-Arbítrio emerge naturalmente a segunda distorção: Amor (Segunda Distorção), também chamado Logos. O Amor, neste contexto, não é meramente uma emoção nem um sentimento. É o próprio princípio criativo, a energia de ordem suprema que faz com que a energia inteligente tome forma a partir do potencial infinito. O Amor é o foco, o método criativo, o tipo de energia que molda possibilidades em realidades.
Desta dinâmica entre o Livre-Arbítrio e o Amor surge a terceira distorção: Luz (Terceira Distorção). A Luz é a primeira manifestação tangível, o bloco de construção de tudo o que chamamos de matéria*. É a distorção vibratória do Infinito que permite a existência do mundo físico como o experimentamos.
A Arquitetura da Criação
A criação procede do maior para o menor, do centro para fora, em padrões que se repetem em todas as escalas.
O Infinito Inteligente, ao se individualizar em porções de si mesmo, deu origem aos Co-Criadores. Cada porção individualizada, usando o Infinito Inteligente do qual é parte inseparável, criou seu próprio universo. Permitindo que os ritmos da livre escolha fluam, jogando com o espectro infinito de possibilidades, cada porção canalizou amor e luz em direção à Energia Inteligente, criando assim as leis naturais particulares de cada universo.
Cada universo, por sua vez, individualizou-se em focos adicionais, tornando-se também co-Criador, permitindo maior diversidade. Assim emergem as galáxias*, cada uma com seus próprios padrões, ritmos e leis naturais.
As galáxias dão origem aos sistemas solares. Cada sistema solar representa um nível adicional de foco criativo. O sol de cada sistema é um Sub-Logos, uma porção individualizada do Infinito Inteligente governando seu domínio com liberdade criativa dentro dos parâmetros estabelecidos por níveis superiores da hierarquia cósmica.
Dos sistemas solares emergem os planetas, e nos planetas começa a experiência das Densidades de consciência. A progressão é sempre a mesma: da energia espiral galáctica*, em direção à energia espiral solar, em direção à energia espiral planetária, em direção às circunstâncias experienciais que iniciam a primeira densidade de consciência planetária.
Tudo começa e termina em mistério.
A Luz: Fundamento do Mundo Material
Para entender como o mundo físico surge, devemos entender a natureza da Luz.
A Luz não é simplesmente o que os olhos percebem nem o que os instrumentos medem como radiação eletromagnética*. A Luz da qual falamos é a distorção vibratória do Infinito que serve como bloco de construção de tudo o que conhecemos como matéria. É inteligente e cheia de energia. É a primeira distorção do Infinito Inteligente convocada pelo Princípio Criativo.
Esta Luz do Amor foi criada com características específicas. Entre elas está um paradoxo geométrico: o todo infinito descrito paradoxalmente pela linha reta. Este paradoxo é responsável pela forma dos sistemas solares, galáxias e planetas, todos girando e tendendo para a forma lenticular*, para a spiral.
O ser manifestado mais simples é a própria luz, o que a ciência moderna conhece como photon*. Através de vibrações e rotações adicionais, o fóton se condensa em partículas que compõem as diversas densidades de existência. Tudo no universo físico é, em última análise, luz em diferentes estados de vibração e rotação.
As Densidades: A Oitava da Criação
A criação está organizada no que chamamos de densidades, níveis de consciência e vibração que podem ser entendidos por analogia com a A Oitava.
Assim como na escala musical ocidental há sete notas que completam uma oitava antes que o ciclo recomece em um nível superior, também a criação está estruturada em sete densidades de experiência, mais uma oitava que marca o retorno à unidade e o início de um novo ciclo.
Cada densidade corresponde a uma vibração específica de luz, a um verdadeiro rays do espectro, e a um tipo particular de consciência e experiência:
A primeira densidade é a densidade do fogo, vento, água e terra*. É o raio vermelho, a existência elemental mais básica. Aqui a consciência existe em sua forma mais simples: a consciência de ser, sem movimento direcionado, sem crescimento intencional.
A segunda densidade é a densidade do movimento e crescimento. É o raio laranja. Aqui encontramos plantas e animais, seres que se orientam para a luz, que crescem, que se movem com propósito. A consciência começa a se individualizar, embora ainda opere principalmente através de padrões de grupo.
A terceira densidade é a densidade da self-awareness. É o raio amarelo. Aqui a entidade se torna consciente de si mesma como um ser separado, capaz de refletir sobre sua própria existência. Esta é a densidade da the-choice, onde cada entidade deve decidir a orientação fundamental de seu ser: em direção ao Serviço aos Outros ou em direção ao Serviço a Si Mesmo. É uma densidade breve mas crucial na jornada da consciência.
A quarta densidade é a densidade do amor e compreensão. É o raio verde. Aqui as entidades que escolheram sua Polaridade refinam sua capacidade de amar.
A quinta densidade é a densidade da sabedoria. É o raio azul. Aqui a ênfase muda para a luz, para a compreensão, para o conhecimento profundo das leis da criação.
A sexta densidade é a densidade da unidade. É o raio índigo. Aqui o amor e a sabedoria são equilibrados e integrados.
A sétima densidade é a densidade do portal. É o raio violeta. É a porta para a eternidade, para o mistério do Infinito.
A oitava densidade é também a primeira densidade da próxima oitava. É o momento de reunificação completa, quando a consciência retorna ao Infinito do qual emergiu, apenas para começar o ciclo novamente em um nível de experiência inimaginavelmente mais vasto.
A Estrutura Fractal da Realidade
Um princípio fundamental permeia toda a criação: a estrutura é fractal*, holográfica, auto-similar em todas as escalas.
Dentro de cada densidade existem sete sub-densidades. Dentro de cada sub-densidade existem sete sub-sub-densidades. E assim por diante, infinitamente. Não há nível que não contenha dentro de si a estrutura completa da criação.
Este princípio holográfico significa que cada parte, não importa quão pequena, contém a informação do todo. Cada átomo contém o padrão do universo. Cada consciência individual, por mais limitada que pareça, contém dentro de si a totalidade do Criador Infinito.
As implicações são profundas. O caminho para a compreensão do cosmos passa pela compreensão de si mesmo. Não há verdadeira separação entre as partes e o todo. Cada ponto da criação é um ponto de acesso ao Infinito.
A Natureza da Ilusão
Devemos esclarecer um conceito que pode se prestar à confusão: a natureza do que chamamos de "illusion".
Quando dizemos que o universo físico é uma ilusão*, não queremos dizer que seja falso ou inexistente. A ilusão não é o oposto da realidade; é um tipo específico de realidade. É a realidade focada, particularizada, experimentada a partir de uma perspectiva limitada.
O universo material é uma ilusão no sentido de que é uma manifestação de padrões de energia que, em sua essência, são luz vibrante. O que experimentamos como sólido é, em níveis mais fundamentais, principalmente espaço vazio atravessado por padrões de energia. O que experimentamos como separado está, em níveis mais fundamentais, profundamente interconectado.
Mas esta ilusão tem propósito. Não é um erro. É o cenário necessário para certos tipos de experiência e aprendizado. Sem a ilusão de separação, a experiência de reunificação não poderia existir. Sem a ilusão de matéria densa, os Catalisador específicos que permitem o crescimento da consciência na terceira densidade não poderiam existir.
O Mistério que Permanece
Mapeamos a criação desde o Infinito primordial até as densidades de experiência, da consciência pura à matéria manifestada. No entanto, seria um erro acreditar que este mapa constitui compreensão completa.
Por mais que entendamos sobre a estrutura da criação, sempre restará um núcleo de mistério irredutível. O Infinito, por sua própria natureza, não pode ser completamente compreendido por nenhuma porção individualizada de si mesmo. O todo sempre excede a capacidade de compreensão da parte, mesmo quando a parte contém holograficamente o todo.
Esta limitação não é causa de frustração, mas de humildade e admiração. O mistério não é um obstáculo a superar, mas o horizonte sempre presente de nossa experiência. É o lembrete constante de que, por mais que avancemos em nossa jornada de compreensão, sempre haverá mais. O Infinito sempre nos excederá.